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domingo, fevereiro 27, 2011

O argueiro e a trave

A crítica da crítica

trave
Duas traves
João Cruzué

Vejo que estamos na temporada de diagnósticos sobre a situação da Igreja Evangélica no começo desta segunda década dos anos 2000s. Todos eles bem críticos. Também quero emitir uma opinião, mas uma opinião destoante. Quando falo de Igreja Evangélica, a primeira imagem que deve aparecer na minha frente, é a minha própria situação espiritual diante de Deus. Eu não estaria sendo justo com Deus nem honesto comigo mesmo se fosse analisar o argueiro da Igreja sem levar em consideração a possibilidade de uma trave à frente dos olhos.

Vou levar em consideração que:
1 - A Igreja não é Evangélica nem Católica. Foi o Senhor Jesus Cristo que lançou sua pedra fundamental, há 2000 e poucos anos, e o que conta efetivamente na sua composição não são os registros do rol de denominação alguma, mas os nomes daqueles que foram salvos, perseveraram, e mantêm seus nomes escritos no Livro da Vida.
2 - Cristãos nominais nem sempre são Cristãos de verdade


O QUE ESTÁ ERRADO

Em primeiro lugar está a perda gradual da comunhão com o Espírito Santo, que não mora nesta ou naquela Igreja, pois Seu templo é o nosso corpo, se não o magoarmos, afastarmos e apagá-lo de nossas vidas. Não é a Igreja que esfria, mas cada um de nós que perde o calor do Espírito ao teimar em fazer escolhas e tomar atitudes contrárias a vontade do Senhor. De escolha em escolha de teimosia em teimosia, o Espírito se entristece, o primeiro amor se vai, e meus olhos começam a sentir que a temperatura da Igreja caiu.

Mas na verdade fui eu quem provocou queda na sua temperatura. Ora, ora, isto está se tornando muito comum no tempo. A inversão de valores. A busca pela presença do Espírito de Deus cedeu lugar a coisas "mais" imediatas, e a forma da pirâmide de necessidades está de cabeça para baixo. O mais importante, que sustenta nossa vida espiritual está em baixo, mas desejamos nos dar bem e não mais depender a CADA DIA da providência do Senhor. Algo do tipo: Alma, deita e regala-te, pois tens no depósito muitos bens!


INDIVIDUALISMO EXARCERBADO

Vivemos na época do pós-modernismo, onde princípios e marcos foram banalizados e desacreditados. O amor, a moral, a política, as relações familiares são relativisadas como produtos descartáveis. Um zilhão de informações e transformações agride nossos sentidos e paradoxalmente nos esvaziam. Consumismo, secularismo, narcisismo, a coroação do eu, o excesso de abertura de novas igrejas. O não contentamento, a pressa e a velocidade estão ditando as normas de tudo.

Sem a dependência de Deus, seremos como um barco perdido, varrido pelas ondas e açoitado por fortíssimos ventos. É preciso uma âncora. E esta âncora não pode chegar ao fundo sem ter tempo para estar na presença de Deus. Orações não são coisas descartáveis. O tempo da oração não pode ser reduzido, reduzido e reduzido a cinco minutinhos - por semana. Para buscar a presença de Deus é preciso estar na presença de Deus. Isso vem sendo desrespeitado ultimamente. Se eu não tenho este tempo, e você também não, é bem provável que culpemos a Igreja pela nossa frieza.

Deixar nossa vontade em segundo plano e colocar a de Deus em primeiro lugar na nossa vida, é o retrato da fotografia da Igreja de hoje, E quem é esta Igreja: eu e você.


ATITUDES PESSOAIS

Não posso escrever muito, pois não é preciso muitas palavras para concluir o assunto. O quanto você e eu desejamos pagar para que a Igreja de hoje deixe de ser fria, ineficaz, ineficiente e pouco efetiva?

Bem, isto depende de cada um de nós. Se cada crente tomar aquela atitude necessária para subir em um grau a temperatura da sua vida espiritual, isto vai também refletir positivamente na congregação.

O quanto estamos conscientes e dispostos a melhorar nossa situação espiritual? O apóstolo Paulo citou uma frase de autoria do Mestre que diz: "Melhor coisa é dar do que receber". Estamos dando alguma coisa ao nosso próximo? Pelo menos já descobrimos que é este próximo? Temos incluído este próximo em nossas atividades anuais? Temos planejado repartir com nosso próximo uma parte daquilo que temos recebido com tanta fartura? Enfim, estamos mesmo interessados em solidariedade e compaixão? Se não estivermos, não podemos dizer que amamos Deus, se nem conseguimos perceber os seres humanos que fazem parte da nossa comunidade.

A Igreja está "ruim", porque eu estou aquém do que deveria estar. Antes de criticar a Igreja, eu preciso passar as mãos à frente dos olhos, pode ser que uma trave esteja bem ali, tirando a visão de mim mesmo.

Para mudar a Igreja, devo começar produzindo uma mudança em minha vida. Eu preciso que Deus transforme um carvão em brasa e este carvão sou eu. A partir do momento que houver o fogo do Espírito em mim, é possível compartilhar com os outros que ainda estão apagados. Por último, não é possível fazer nada sem Jesus, pois sem Ele nada podemos fazer". Para meditação, II Crônicas 7:14/15

Em Cristo,

João Cruzué.





quarta-feira, dezembro 01, 2010

Lugares altos


Angel
Santo Angel - Venezuela

João Cruzué

Entre as músicas que estão no box lateral deste blog está uma das mais bonitas que grupo Diante do Trono já compôs: Lugares altos. Eu gosto de música cristã. Ela sempre me inspirou, enfim, servi nas cordas por 14 anos na Igreja. Vi muita gente sendo batizada, renovada e falando em novas línguas ao mover do Espírito Santo, presente nas notas de uma canção. Acho, não, tenho certeza que o próprio Espírito Santo se alegra com boa música de louvor. A música alegra o Espírito e o Espírito alegra os "vasos" na Casa do Senhor. Faz algum tempo que não escrevo; hoje, quero deixar alguns parágrafos sobre os outros versos do Salmo que o compositor do DT não colocou em "Lugares Altos".

No Salmo 18 está escrito: [O SENHOR] faz os meus pés como os da corça, e põe-me nas alturas. Imagino que a letra de "Lugares Altos", deve ter sido inspirada neste Salmo de Davi, que naquele tempo estava em primeiros anos no trono de Israel. O jovem Rei Davi olhou para trás e viu todas as lutas e perseguições que sofreu a partir daquele dia que matou o gigante Golias.

Quero dedicar este texto aos leitores que se pararem aqui para uma leitura cética. Afinal, que coisa boa poderia sair de um blog de crente? Bom, sou um cristão que passou por 11 anos de desemprego. Casado. Duas filhas pequenas. E, que antes desses dias ruins, tinha razoável conforto. Ano, após ano, as coisas foram piorando. Não vão caber neste post as referências a tantas coisas privações que passei, as dores que senti e as palavras que ouvi durante todos aqueles anos. Hoje estou bem. Muitíssimo bem. Olhando para trás, eu também posso dizer que foi o Senhor que "Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me aborreciam, pois eram mais poderosos do que eu".

Há quem esteja angustiado enquanto lê este texto, mas há, também, quem esteja muito angustiado; muitíssimo angustiado. Mas para ser colocado em lugares altos, em posição de grande honra, certamente devi estar no vale ou no fundo do poço. Causa e consequência.

Tenho lido testemunhos de pessoas que me escrevem contando sobre coisas terríveis. Vida sentimental destroçada, doenças terríveis, solidão, dívidas imensas, ingratidão, desprezo, lares abandonados, filhos nas drogas. Males de todos os tipos, formas e tamanhos. Eu também tenho experiência em ouvir as palavras da angústia, os gritos da dor, a fome de justiça e o silêncio da solidão. Mas para muitos de nós isto, na verdade, não acontece com o propósito de nos destruir, senão para nos preparar, nos humilhar, para que um dia o Senhor nos coloque em posição de honra, assentado em lugares altos.

Em tudo dai graças. I Tessalonicenses 5.18.

Se você ainda não é um crente em Jesus Cristo, aconselho que procure sê-lo, para que tenha as condições e ajuda necessária para alcançar vitórias em Cristo e se assentar em lugares altos. Se você já é cristão vai entender perfeitamente estas palavras. No tempo da angústia e das tribulações a gente ora. Ora. Ora muito, pois é tempo de orar. Mas outro tempo virá, quando você vai começar a agradecer pelas respostas - antes de ver a bênção chegar.

Os cristãos andam por fé. Não andam por vista. Além da dor, da solidão, da depressão, do abandono, da dívida, há um tempo de vitória preparado por Cristo. Você não pode se concentrar apenas nas desgraças, precisa parar um pouco, para pensar e sonhar com aquilo que você precisa. Mude sua forma de pensar; pense que o tempo do fundo do poço vai passar, e quando ele passar, e suas bênçãos chegarem, imagine você olhando para trás e dando graças a Deus.

Eu passei por isso. Eu fiz assim. Se assentar em cima das suas derrotas e começar a chorar, isto vai consumir todos os dias de sua vida. As derrotas são degraus que descem mesmo para o fundo. Se você olhar para baixo talvez veja o fundo do poço, mas os mesmos degraus que descem, também servem para a subida. Sua realidade lhe diz você está descendo ao poço, mas pela fé volte os olhos para cima, para enxergar o céu - onde é a morada do SENHOR.

Quando Davi já estava há poucos anos no trono, ele ficou consciente da presença de Deus em sua vida desde o momento que recebeu a oração e a unção do profeta Samuel, passando pelos dias no vale e na caverna. Assentado em cima do trono de Israel, ele olhou para os dias de sua angústia, perseguição, desprezo, abandono dos amigos, e viu a misericórdia, a graça, a força do Senhor em sua vida. Imagino que mandou trazer a sua harpa, e escreveu:


"Eu te amarei do coração, ó SENHOR, fortaleza minha.

O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador;

o meu Deus, a minha fortaleza, em que confio;

o meu escudo, a força da minha salvação e o meu alto refúgio".



Hoje, ao ouvir esta bela canção do Diante do Trono falando dos "Lugares Altos", eu também olhei para trás e vi cada um dos 11 anos que estive desempregado. De 30 julho de 1992 a 14 julho de 2003. Mas agora eu os estou vendo de cima (como Davi) . Veja: eu passei em alguns concursos públicos. Entre outubro/2009 e abril/2010 deste ano, fui convidado e convocado para assumir três cargos; dois por concursos. Em dezembro de 2000, por falta de emprego, eu estava cultivando mandiocas no Vale do Rio Doce; capinando (ou carpindo) mandiocas sufocadas por carirus de espinho e brachiaria rusieneses; com nuvens mosquitos pólvora em volta das minhas orelhas. Meus pés pisavam o barro e eu muito triste com tanta erva daninha. Hoje, exatos 11 anos depois sou um dos auditores do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Para se assentar em lugares altos, talvez seja preciso que você passe pelo vale ou desça até o fundo do poço. A bênção do Senhor é sempre maior do que você imagina. Você vai precisar de orar sempre, para vencer sua luta de cada dia. Você está matriculado na Universidade de JEOVÁ. Estas lutas são as disciplinas que você está aprendendo para se graduar na carreira da humildade. Quando você concluir o curso não vai mais dizer: tudo posso porque EU sou EU. Em lugar disso vai dizer: Tudo posso NAQUELE QUE me fortalece.

Se você leu este texto até o fim, muito provavelmente deve estar passando por algum tipo de dificuldade. Se isto é verdade, creia nestas simples palavras: quando mais fundo é o buraco, maior é a altura do "trono". Fique firme, ore sempre, Deus vai multiplicar algo na sua vida que tem passado despercebido para você. Mas você também precisa fazer a sua parte. Se é estudar - estude. Se é "plantar mandiocas" - plante. Se é fazer um concurso - compre apostilas. Alguma coisa você precisa estar fazendo, quando os olhos do Senhor descerem sobre você para admirar sua persistência.

Se até hoje você estava excluindo a possibilidade de uma virada em sua vida, prepare-se: quero deixar aqui, para você, a lebrança de um versículo muito especial: "Porque para Deus não há nada impossível."Lucas 1:37. Você sabia que eu comecei a escrever um blog para contar meus testemunhos? Muito bem, assim que o Senhor lhe trouxer a maior bênção que já aconteceu em sua vida, venha me contar.


cruzue@gmail.com




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O olhar de Jesus

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Ator Robert Powell - Filme Jesus de Nazareth (1977)

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"Eu sou a luz do mundo; quem me segue

não andará em trevas, mas terá a luz da vida."

João 8:12
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João Cruzué

É notável a diferença entre o olhar de Jesus e o olhar dos homens. Nascidos em pecado, estes habituam-se desde cedo ao pessimismo, ao desprezo e à desconfiança. Ajustam o foco sobre as fraquezas, defeitos, explorando detidamente o lado mesquinho e hipócrita das pessoas. Jesus Cristo, a expressão viva do amor de Deus, não segue este padrão, quando examinamos sua maneira de olhar nas páginas do Evangelho.

Por exemplo: Quando Jesus viu Simão Pedro pela primeira vez, não criticou suas fraquezas, nem profetizou que o negaria - embora soubesse de tudo isso. Em lugar de uma taquara (significado do nome Simão) Cristo viu uma rocha - Cefas. É assim que Deus nos vê. Quando nos aproximamos dele, não aponta o dedo para nossas fraquezas para que murchemos e desanimemos. O olhar de Jesus procura por aquilo que há de bom em nosso interior, ainda que seja uma partícula boa em um milhão de defeitos. Se você procurar por Ele, vai ser bem recebido.

Quando Jesus viu o baixinho Zaqueu no alto da figueira, não zombou dele perante a multidão. Poderia ter dito: Eis aí, o chefe dos coletores de impostos mais corrupto de Jericó. Não, ele não fez isto. Todos diriam assim, mas Jesus olhava com amor. Foi por isso que disse: Zaqueu, desce depressa, pois hoje vou jantar em tua casa". Apenas um olhar e algumas palavras foram suficientes para produzir a mudança mais inesperada na vida do chefe dos publicanos de Jericó.

Quando Jesus viu o coxo junto ao Tanque de Bestesda, ele não viu um aleijado. Ele viu um homem que depois de 38 anos doente ainda tinha esperança de ser curado. Todos viam um coxo maluco, mas Cristo enxergava um homem andando normalmente, levando embora um leito sobre as costas.

Quando Jesus olhou para a mulher adúltera diante daquele grupo de apedrejadores, ele não viu uma prostituta, mas uma jovem que precisava apenas de uma oportunidade para se levantar e nunca mais pecar.

Quando Jesus mandou retirar a pedra do túmulo de Lázaro, ele não enxergava um cadáver mal-cheiroso, mas via um velho amigo caminhando diante de uma família de pessoas críticas.

Jesus vê uma rocha onde todos veem uma taquara. Jesus vê um convertido sincero enquanto todos enxergam um fiscal corrupto sem possibilidades de recuperação. Jesus vê um homem correndo e saltando, enquanto os conhecidos enxergam um coxo inútil e teimoso. Jesus não atira pedras em quem está caído. Jesus enxerga vida, onde todos já desistiram ou taparam o nariz por causa do mau cheiro. Jesus Cristo não vira as costas para quem bate à sua porta.

Esta fixação em procurar os defeitos e descobrir os erros das pessoas para depois dizer para todo mundo; esta ânsia de difamar, de derribar para produzir no criticado um sentimento de pequenez, de frustração, de desânimo revela, na verdade, algo interessante sobre a pessoa do crítico. Mostra sua necessidade premente de manipular as faltas alheias para dispersar o foco sobre si mesmo. Usa a crítica como capa para cobrir a própria nudez. Era porisso que o diabo só enxergava maldade no caráter do patriarca Jó.

Em tempos em que é tão fácil descer a "lenha" na vida de nossos irmãos, não custa perguntar: de que maneira estamos vendo a vida deles. Se apenas conseguirmos enxergar defeitos, e nada mais que isto, temos um problema grave problema de miopia espiritual.

O olhar de Jesus é misericordioso, para aqueles que buscam seu socorro. Se nossas virtudes resumissem apenas a uma única gota d'água no fundo de um copo vazio, Ele volveria seus olhos para ela e nos diria: Me alegra que isto esteja em teu coração. Este é o olhar de Jesus.


Curso Bíblico: Como se reconcilar com Deus












sábado, outubro 30, 2010

Se eu pudesse viver 100 anos

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100
João Cruzué

A vida é uma bênção, mesmo que por certos momentos pensemos na morte, há muito por fazer. Muitos culpam Deus pelas misérias humanas, esquecendo-se que cada um de nós fizermos parte de uma cultura individualista, egoísta, indiferente, negligente e omissa. É possível ser feliz sozinho? Eu creio que não. Olhando para um chip de computador, ali são milhões de transistores, cada um cumprindo seu papel harmonizando-se no conjunto e o apóstolo Paulo também faz uma analogia usando o corpo humano, onde Cristo é a cabeça e no qual todo corpo é bem ajustado e ligado com o auxílio de todas as juntas e segundo a operação justa de cada parte, faz o aumento do corpo para sua edificação em amor. Para viver 100 anos é preciso estar muito envolvido com as pessoas que nos cercam. De outra forma não vai valer a pena.

É apenas uma questão de tempo para que a medicina descubra terapias de anular os efeitos do "enferrujamento" que o oxigênio produz em cada célula. E a luz do sol apressa nossos dias, que são como uma sombra ligeira no relógio da eternidade. Qual será a resposta para alcançar uma vida que dure um século? A paz certamente é uma delas. Descobrir um propósito maior que faça outras pessoas felizes, outra. Foi Martin Luther King que disse que "Se um homem não descobriu ainda uma causa por que possa morrer, então não está preparado para viver. Uma causa por que pensar, insistir e lutar.

Estamos no final de outubro, a um dia da decisão pelo voto, se Dilma ou Serra guiará o país nos próximos quatro ou oito anos. Estamos observando o bradar de muitas "causas". Saúde, aborto, educação, bolsa família, petróleo, combate à corrupção... Evidentemente, ninguém pensa em morrer por elas. Políticos são mestres na arte do ilusionismo, ao dar publicidade a um evento pequeno para que outros pensem que é global. Anunciam um projeto, para que as pessoas comuns pensem que é matéria legal. É difícil ver um político atual atingir uma vida longa. Esta semana morreu Néstor Kirchner: com 60 anos de idade.

Se eu pudesse viver 100 anos, gostaria de estar envolvido em atividades inerentes ao talento natural que recebi de Deus antes de chegar à vida. Imagino que ao ficar ocupado no caminho, terei tempo de mostrar o amor de Deus em mim. Eu penso que nossos talentos são riquezas medidas em padrões de solidariedade. Amor. Compaixão. Quando eu leio São João 5, vejo Jesus atento às necessidades de um paralítico há 38 anos. Se eu pudesse viver 100 anos, gostaria de aprender mais sobre estar atento às necessidades do próximo. Mas nossos dias são diferentes,;fazemos parte de uma geração de sacerdotes e levitas e mesmo que saibamos disso, não conseguimos mais ter a compaixão do samaritano.

Se eu pudesse viver 100 anos, gostaria de me envolver mais com alfabetização e educação. O Brasil tem mais de 100 milhões de pessoas que não concluíram um ensino médio. Esta dívida de iletramento faz com quem milhões de brasileiros trabalhem mais e ganhem menos. Essa renda mal distribuída abre brechas para que o tráfico tenha mão de obra farta em meio a um exército de reserva mal remunerado.

Se eu pudesse viver 100 anos, gostaria de trabalhar integralmente como Pastor de almas. Um pastor que não pregasse tão bonito, mas que conquistasse muita intimidade com Deus. Um Pastor que abrisse portas pela oração. Um Pastor que fosse guiado pelo Espírito Santo, que todo dia não voltasse para casa sem que tivesse levado o amor e a compaixão de Deus à uma alma necessitada. Se eu pudesse viver tanto tempo, gostaria que Deus me concedesse dias em que fosse aos hospitais orar pelos enfermos. É uma verdadeira desgraça o que temos visto nos últimos dias: pessoas morrendo no meio da rua entre dois hospitais públicos, cada um dizendo que a culpa foi do outro. Há muitos lázaros morrendo nos leitos dos nosocômios, cujas folhas de pagamento consomem 2/3 do orçamento. A seguir vem os serviços terceirizados e a "merrequinha" que sobra vai para os medicamentos. Organizações voltadas para o bem estar próprio, aleijadas, pois já perderam as mãos. As mãos samaritanas.

Se eu pudesse viver 100 anos, gostaria de gastar todos esses dias envolvido com a vontade do Senhor. No ano de 2001 eu estava desempregado. Há nove anos desempregado. De repente recebo a carta de um preso em minha casa. Não tinha dinheiro para comprar literatura nem enviá-la pelo correio para as pequenas Igrejas do Cárcere entre as Penitenciárias do Estado de São Paulo. Mas era o serviço que o Senhor tinha reservado para que eu fizesse. Então, por dois anos e meio eu andei pelas Igrejas da Zona Sul da Capital paulista atrás de revistas usadas de Escola Dominical. Cada caixa que despachava para a prisão era uma alegria muito grande. Mesmo que à volta as pessoas criticavam, desaprovavam, eu dormia sem dinheiro, mas acordava com alegria por causa da presença de Deus. Eu fazia o que Ele queria, e por causa disso a alegria do Senhor era a minha força.

Se eu pudesse viver 100 anos, gostaria de praticar a política todo dia. O Brasil é muito rico, mas tem um povo pobre. Muitos brasileiros, parafraseando o falecido Dr. Enéas Carneiro, na verdade ainda não foram promovidos a pobre, pois ainda estão na miséria. Eu vejo isto cinco dias por semana, a caminho do trabalho. Pessoas dormindo à beira das calçadas, embaixo dos viadutos, às vezes sem nem um jornal para cobrir o corpo nesses dias frios. É preciso de um coração com muito amor para tirar essas almas do chão da rua para sejam pelo menos promovidos a "pobre". Curiosamente o Orçamento da nação passa da casa dos 1,477 trilhão; do Estado de São Paulo de 140,6 bilhões e da Capital paulista de 34,6 bilhões. Estes recursos precisam chegar até onde são necessários, sem entender o conceito pleno de cidadania nem a missão de autoridade política ocorre algo paradoxal: há o dinheiro, mas não existem pessoas que concebam projetos e briguem para que os recursos sejam executados no destino. E isso pode ser feito sem ser um representante político, apenas exercendo uma cidadania, digamos samaritana.

Por fim, se eu pudesse viver 100 anos, gostaria de vivê-los todos os dias cercado de crianças, para viver cercado de gente que fala o que pensa sem esconder a verdade. Que ainda sabem demonstrar carinho e amor sem nem saber o significado dessas palavras. Não podemos ser avatares de nós mesmos. Atores. Precisamos ser agentes; agentes do amor de Deus; agentes da Compaixão de Deus. Mas para isso precisamos aprender como chegar mais perto de Deus, para que sua presença nos ensine a olhar e ver, ouvir e escutar, alegrar com os que riem, e chorar com os que choram. E o que posso fazer para me aproximar dele, se é o querer Dele que decide se posso ou não? Há tantos mais santos que eu, por que seria eu presunçoso ao ponto de sonhar com a presença de Deus em mim, como foi na vida de Paulo e Moisés? O que eu sei é que estas coisas não vão fazer de mim uma pessoa que todos queiram abraçar, como o próximo vitorioso ao Planalto.

Seu eu pudesse viver 100 anos, e conseguisse que todos meus desejos se cumprissem, eu certamente precisaria enfrentar o fato de que morreria feliz, apesar de só, pois olhando para o passado, o mundo somente ama aquilo que é seu. Mesmo sabendo disso, teria valido a pena.


cruzue@gmail.com
SP.30.10.2010.

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terça-feira, outubro 12, 2010

Crer e acreditar


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Montes

João Cruzué

Hoje quando acordei, um pensamento passou diante da minha mente. Uma mensagem com o título "Crer e acreditar". E este pensamento acompanhou-me o dia inteiro e seguindo minha inspiração, vou tentar algumas linhas de meditação sobre o tema. São duas palavras, dois verbos, que aparentemente não possuem diferença de significados.

Em uma análise semântica, crer e acreditar são sinônimos. Dar crédito, ter confiança, ter como verdadeiro, ter fé, enfim iguais. No campo da exegese bíblica, nada tão diferente, a não ser o fato de que há pouquíssimo uso do verbo acreditar, pelo menos nas traduções da "Almeida Revista e Corrigida, edição 1995 e Bíblia Digital América (Sociedade Bíblica Trinitariana) com citações da Versão King James. Na pesquisa desta última, o verbo crer aparece flexionado 92 vezes, e acreditar apenas 11. Na Versão Almeida Corrigida, acreditar aparece citado apenas 10 vezes. Então, biblicamente, dá para perceber que há diferença de significados entre eles.

O significado de acreditar na bíblica é basicamente "dar crédito" e confiar. Crer, por outro lado, é um verbo "carismático", ativo, que envolve um componente especial: a fé. Tendo feito estas considerações burocráticas, vamos a meditação de fato.

No segundo Livro dos Reis, o rei da Síria fazia guerra contra Israel, e Deus revelava os planos do adversário ao profeta Eliseu. E o rei soube que o profeta estava em Dotã; para lá enviou, à noite, cavalos, carros e um grande exército. E o moço do profeta acordou bem cedo e viu um grande exército cercando a cidade, e com medo acordou o profeta Eliseu e disse: Ai, meu senhor! O que faremos? Assim aconteceu, porque o moço ACREDITAVA naquilo que seus olhos viam.

Então o profeta Eliseu respondeu: Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. Ele dizia assim, porque tinha mais experiências com Deus. Eliseu usava os olhos da fé para se orientar e não dava crédito apenas aos que seus olhos viam. E por isso orou pelo moço: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos [espirituais] para que veja. Ver com os olhos da fé é crer. E depois que o Senhor abriu os olhos do moço, ele viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu.

É possível conhecer e acreditar em muitas coisas. E ser a mais infeliz, vazia e derrotada das pessoas. E a maioria dos que olham para você podem acreditar que você é feliz, bem resolvido e vitorioso. Como isto é possível? Sim é possível, pois é possível olhar e acreditar nas aparências.

Só mais um caso bíblico. Outro profeta, Samuel, foi enviado à casa de Jessé, o belemita, para ungir um novo rei sobre Israel. E quando Eliabe, o primogênito de Jessé, passou diante dos olhos do profeta, este pensou: Certamente, está perante o Senhor o seu ungido. Ele se encantou pelas aparências, mas mesmo sendo um profeta experiente, Samuel estava enganado. Ele foi surpreendido pela voz do Senhor: "Samuel, não dê crédito à aparência, nem para a altura de sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração." Fico imaginando, se até um profeta como Samuel equivocou-se, quanto mais um simples crente, como eu?

Paulo escreveu assim em II Coríntios 5:7: "Porque andamos por fé e não por vista." Andar por vista é acreditar na aparência daquilo que vemos. Crer é diferente. Para crer é preciso fé. E a fé não é de todos. II Tes. 3:2. Para que o moço de Eliseu visse os cavalos e os carros de fogo sobre os montes, ele não fez um curso de teologia nem um doutorado em divindade. Os olhos da sua fé foram abertos por uma oração: "Senhor abra os olhos do moço, para que veja"

Quem sabe, até este momento você tem acreditado em algumas coisas que têm aparência de verdade, cheiram como verdade, outros atestam que são verdadeiras, mas não passam de declarações humanas? E como prova disso, aí está você, no íntimo do seu ser, como a mais infeliz das criaturas. Olha, as pessoas costumam passar a vida inteira a procura de alguma coisa, e paradoxalmente, não conseguem ver que o que procuram está tão perto. Outras procuram uma religião e pensam que rituais, liturgias e regras de conduta são o bastante para acreditar que um deus está no comando de suas vidas. Mas podem estar tão enganadas, quanto Saulo antes de se converter. O segredo está em aceitar Jesus Cristo, como Senhor e salvador, e buscar intimidade com ele, pelo conhecimento e obediência da sua palavra.

A fé não vem pelo ver, mas pelo ouvir a palavra de Deus. Romanos 10:17. O Senhor Jesus é o autor e aperfeiçoador da fé. Hebreus 12:2. Você precisa de uma mudança na vida? Isto pode ser iniciado, dedicando um tempo diário para ler a Bíblia Sagrada. Começando pelo Evangelho de São João. Para os que já conhecem o caminho, não há condições de crescer na comunhão com Deus se não separamos um tempo para conversar com Ele. O Senhor gosta que estejamos como ele, conversando, desabafando, orando, intercedendo, dialogando e ficando em silêncio.


Senhor, abre-me os olhos, para que eu possa ver. Para que eu possa crer e ir além do que os meus olhos veem.



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terça-feira, setembro 28, 2010

O azeite, o vinho e o fermento


Barco
Barco à vela
João Cruzué

E um certo doutor da Lei levantou-se e disse: Mestre que farei para herdar a vida eterna? E Jesus devolveu a pergunta: O que está escrito na Lei? E então o doutor citou o grande mandamento: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo."

-- Faze isto e viverás! Disse Jesus.

-- E quem é o meu próximo? Insistiu o doutor.

E na sequência o Senhor Jesus Cristo expôs uma parábola, mais tarde entitulada "A Parábola do Bom Samaritano". Hoje pela manhã quando ia para o trabalho, passei pela região do Viaduto do Chá, no Centro de São Paulo. E neste trajeto veio a mim escrever alguma coisa sobre esses três elementos: O azeite, o vinho e o fermento.

Nós encontramos o azeite no Velho Testamento na botija da viúva endividada; no reservatório do candeeiro da Casa do Senhor. Na unção de Davi, ainda adolescente, no quinto verso do Salmo 23, e, entre tantos outros, na visão do profeta Zacarias. Azeite fala de sabedoria; azeita pode ser um rosto brilhando pelo perdão de Deus; azeite é uma bênção surpresa quando tudo o mais se acabou. Azeite é o gosto da vitória; azeite é a unção da promessa de Deus.

Na parábola do samaritano o vinho foi usado para limpar as feridas.

Azeite e vinho falam de solidariedade, de compaixão, de cuidados. Azeite e vinho são as atitudes do cristão verdadeiro que vai além das palavras; além da teologia. A sequência de uso é azeite e vinho. Primeiro a unção do Espírito em seguida a alegria do Espírito. O azeite amacia e refresca um coração ferido e o vinho lava as impurezas e a maldade do pecado. Para adquirir deste azeite e deste vinho é preciso ir à fonte da misericórdia e da compaixão. É preciso depender de Jesus.

Quem ama vai atrás, busca e procura até achar. Quem tem azeite e vinho anda na presença de Deus e navega como um barco cuja vela se faz cheia sob o vento da vontade do Espírito Santo. Isto não se aprende com a leitura de compêndios e comentários. Não vem junto com um canudo de teologia, mas em andar com o Senhor.

O fermento é a substância que incha, estufa, azeda, que enche de vento uma massa. O fermento para fazer efeito precisa ser misturado. Espiritualmente falando o fermento é o mundo sendo misturado no coração cristão. O fermento é a hipocrisia. É uma santidade de aparências. É uma cristã falsificada, mascarada.

O sacerdote e o levita viram o ferido, mas a sua religião estava acima de qualquer coisa. Sabiam o sagrado, mas não tinham mais o Espírito de Deus. Eram vazios de sentimentos, de compaixão. O sacerdote e o levita eram como barcos cujas velas já tinham apodrecido pela falta de uso.

Coisa interessante. Esta parábola é muito atual. Está surpreendentemente contextualizada em nosso tempo e país. Uma geração de sacerdotes e levitas têm ltrabalhado em nossas Igrejas. Eles estão muito ocupados com o que acontece no mundo. Estão encantados com o poder, com a política, com o dinheiro. O fermento já arruinou a vida espiritual deles. Nã têm mais tempo para a compaixão. Não se preocupam mais com os feridos nem com os perdidos, pois já não há mais sinal de azeite e vinho em seus corações. O Espírito Santo já foi apagado de suas vidas, de tantas atitudes mesquinhas, avarentas, falsas aparências. O óleo da unção já não brilha mais em suas faces. É muito provável que também estejam perguntando: E quem é meu próximo? Por que já se esqueceram.

E se eu não tomar cuidado, posso me tornar hipócrita do mesmo jeito. Por isso o exercício da compaixão deve ser sempre lembrado, praticado. Não basta ter uma biblioteca cristã na cabeça, é preciso muito mais que isso para ser um bom samaritano: manter a alegria de servir, de visitar, de sorrir e chorar junto, de ajudar, de amar, de perdoar pela presença do Espírito Santo.



SP 28.09.2010



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domingo, setembro 05, 2010

O perigo da esterilidade na vida cristã

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Joao Cruzué

"Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o acho; corta-a. Por que ela ocupa ainda a terra inultilmente? E o vinhateiro respondeu: Deixa-a este ano, até que eu a escave e esterque; e se der fruto, ficará; e se não, depois a mandarás cortar." Lucas 13.

Quantos cristãos deixam de receber respostas de orações para os grandes projetos de suas vidas? Será que a vida abençoada de outros é apenas frutos da coincidência? O quanto as boas obras de cada um representam no julgamento de Deus no ato de enviar a bênção para uns e nada para outros? Creio que este assunto é por demais complexo, dentro das culturas religiosas pré-estabelecidas, mas examinando a Bíblia de forma simples, sem os "mas" religiosos, podemos encontrar algumas respostas; e estas respostas podem nos trazer uma visão menos religiosa e mais cristã.

Jesus e as figueiras. Imagino que nos tempos de Cristo em Israel, as figueiras deveriam ser muito comuns, como em nossa terra temos as mangueiras, goiabeiras, bananeiras... árvores comuns de frutos populares. Em Mateus 21, vemos o Senhor procurando fruto em uma figueira. Achando somente folhas, amaldiçoou-a; e ela secou-se imediatamente, para espanto dos discípulos. Em Marcos 13, fala que ao ver uma figueira começando a soltar brotos é sinal que o verão está chegando. Em Lucas 13, tema do texto, mostra outra vez o desapontamento com a falta de frutos de outra figueira. Zaqueu subiu em uma figueira brava, em Lucas 19; e Natanael mudou sua opinião sobre Jesus, quando o Senhor lhe disse que o viu debaixo de uma figueira. Em alguns desses textos, a figueira é comparada à nação de Israel. Israel era a figueira.

Mas a figueira também, além de Israel, pode ser a figura da vida espiritual de cada cristão. E a procura do Senhor por frutos na figueira, representa os bons frutos de mudança produzidos pela ação do Evangelho em nós. Assim como era impossível para uma figueira adulta não produzir frutos no verão, também aquele que vive cotidianamente na Igreja deve florescer e frutificar. A decepção do Senhor Jesus quando foi procurar fruto na figueira e só encontrou folhas, tem uma explicação: as folhas simbolizam a religião; e a religião pode ter um efeito inverso: desligar o cristão do Cristo.

Assusta-me , e custo a compreender porquê pastores Batistas americanos, homens brancos, que ensinavam e pregavam sermões sobre o amor e graça do Cristo, seriam capazes de criar uma Ku Klux Klan para humilhar, prejudicar, perseguir e matar irmãos de crença -negros. Isto são folhas. Isto é religião. É criar dogmas e preceitos humanos e embrulhá-los com o nome de Deus. Poderia citar outras atrocidades da Igreja Romana, Hindu, Muçulmana e do próprio Judaísmo.

Frutos tem aspectos muito diferentes de folhas. As folhas são importantes, pois realizam a fotossíntese transformando a seiva bruta em seiva elaborada; subindo das raízes para para as folhas e fazendo o sentido inverso. A religião é a cultura, o aspecto social, o que se vê, na vida das famílias que frequentam uma Igreja. Mas ela pode estar totalmente distanciada do Cristo, como estavam os que administravam o sagrado no Templo de Jerusalém. O fruto da figueira em questão, são as ações cotidianas de um cristão que anda na presença de Deus. A presença de Deus é flor que desenvolve o fruto na vida dos que seguem, de verdade, o Cristo.

Não é pela cultura religiosa que agradamos a Deus. Não é apenas pelas boas obras que glorificamos a Deus. É muito mais que isto. Andar na presença de Deus tem um significado mais profundo: É fazer sempre aquilo que é da vontade de Deus. Muitos dizem que estão fazendo a vontade de Deus, principalmente os radicais de todas as religiões.

Qual é a vontade de Deus? Deus quer que conheçamos o Cristo. Que o aceitemos e que isto não seja às ocultas, mas diante da sociedade. Deus quer que não sejamos hipócritas. Aqueles que conhecem a verdade, mas vivem uma mentira. Ensinam a virtude, mas praticam o pecado às escondidas. Deus é santo, e quem quer viver na sua presença, deve abandonar os velhos maus hábitos, para se aproximar dele. Isto se chama: santidade. E para descobrir as arestas e aplainar as imperfeições é preciso ler e entender a Palavra de Deus, que está na Bíblia Sagrada. Apesar da imperfeição das Igrejas e do distanciamento da presença de Deus de muitos pastores e ministros cristãos, Cristo nunca ensinou o abandono à Igreja. Ainda é lá que se aprende os rudimentos e os aperfeiçoamentos pelo ensino da Palavra de Deus. Aprender a palavra, sem condescender com o pecado.

O início deste século encontrou a Igreja cristã com sérios problemas de joio, ervas daninhas no ministério, entre eles um pernicioso evangelho antropocêntrico, cuja mensagem atrai multidões com interesses nos benefícios da vida cristã, sem o compromisso com o Cristo. A inversão dos valores cristãos, o fim (a bênção) justificando os meios (religião).

Se Cristo viesse ainda hoje, ele não encontraria fruto em muitas vidas. Quando não há um desejo profundo de servir a Deus, quando não há uma consciência viva que nos diz: isto está errado! quando o culto na Igreja é apenas um evento comum, é sinal de que a presença de Deus está longe de nós. Quando procuramos por Deus (como os que seguiam Jesus pelos pães) unicamente atrás de bênçãos materiais, algo está errado. Quando enviamos ofertas, interessados em bênçãos, para atender conversa fiada de pastores com seus projetos de "SEMENTES" estamos nos enganando a nós próprios.

O que pode acontecer? A bênção chegar, mas a presença de Deus, não. Quando damos ouvidos a "evangelhos" de homens reprovados diante de Deus, à medida que o tempo passa, ficamos mais frios na fé. Ficamos tristes dentro da Igreja e não sabemos porquê. Falta alguma coisa e não descobrimos o quê. Sabe o que falta? Falta abrir a porta para o Cristo, que ficou de fora. Falta o Espírito de Deus em nossa vida. É isto que o "evangelho da prosperidade" traz. Cristão ricos de bênçãos, mas pobres da presença de Deus. A angústia , o vazio espiritual, a frieza de muitos cristãos no presente século é um sintoma de esterilidade.

Esterilidade por um problema de semente. Certa vez comprei uma manga enorme na Avenida Paulista. Guardei a semente, plantei, e depois levei a muda para o sítio de meus pais. Em poucos anos estava uma árvore frondosa e começou a florescer. Floresceu por anos seguidos. Era a mangueira mais florida entre todas as outras. Mas vingavam três, quatro frutos, que rachavam e caiam. Fiz como na parábola: adubei generosamente, mas nada. Porque não produzia um fruto sequer, derrubei-a com machado. Eu arranjei uma semente errada; ela parecia igual às outras, talvez até mais bonita, mas quando chegou o tempo de ver os resultados: era completamente estéril. Assim também pode acontecer com quem teima em seguir falsos líderes e falsos profetas, em algum tempo da vida, a presença de Deus irá embora, e você vai ficar frio e vazio.

Esterilidade por falta de cuidados. Foi por isso que o vinhateiro pediu uma segunda chance para a figueira. Se alguém congrega em um lugar e começa a ver que a própria vida espiritual está indo pelo ralo - atenção! Observe bem sua Igreja. Ela possui um gerente como pastor ou um homem de Deus amoroso que cuida bem do rebanho? Não se iluda com templos majestosos. A diferença entre o pastor-gerente e um homem de Deus, é pela respostas de oração. Há ministros que quando oram o Senhor ouve e abençoa a vida da ovelha. Quanto à oração do outro, Deus nunca ouve. É a última coisa que se deve fazer, mas se você congrega em um lugar que não dá a mínima para a vida espiritual de seus membros, já não funciona mais como Igreja.

Esterilidade por falta de compromisso. Deus disse para Salomão, que Davi tinha o desejo de construir um Templo para morada de JEOVÁ, o Deus de Israel. Deus não permitiu, mas se agradou de ver aquele desejo no coração de David. Assim também, quando o Espírito de Deus vem sobre a vida do cristão, ele precisa manter a chama da fé e do compromisso com Deus acesa. No dia que o Senhor vier e olhar no seu coração e não achar nenhum desejo, nenhum compromisso, só religião (folhas) e cuidados desse mundo, sua vida espiritual pode ser apagada. De tanto o Espírito Santo insistir, e você não se mexer, o entristecimento dEle com suas atitudes vai fazer brotar a insatisfação, a murmuração e o vazio. A frieza espiritual é o sinal da ausência do Espírito Santo.

E a coisa mais triste deste mundo é um cristão que saltou e cantou alegre diante da presença do Senhor, e hoje é apenas cinzas de tristeza. Não fique inativo diante de Deus. Ore, contribua, ensaie, cante, louve, se é rico contribua generosamente para missões. Descubra que está passando por necessidades na sua Igreja. Faça alguma coisa, para glorificar o nome do Senhor antes que o vinhateiro diga ao Dono da Vinha: Senhor, eu escavei, adubei, redobrei os cuidados, mas não apareceu nenhum fruto naquela figueira.

Então, o Dono da Vinha vai dar a ordem: Corta-a!


Sorocaba- 05.09.2010








domingo, março 14, 2010

As promessas do Salmo 23

águas tranqüilas

autor: João Cruzué

O Salmo 23 é um dos capítulos mais conhecidos e amados da Bíblia Sagrada. Posso ver nele palavras de lindas profecias que se cumpriram no passado, continuan se cumprindo no presente e cumprir-se-ão também no futuro na vida daqueles que se aproximam do Deus. Entre tantas coisas belas que posso ver nele, existem sete promessas para o nosso dia a dia.

O autor dessas promessas é o Senhor Jeová.

Quando você aceita Jesus como Salvador de sua alma e Senhor da sua vida, você muda de senhorio e de posição diante de Deus. Assim como no Brasil, para ter uma existência civil é necessário o Registro de Nascimento, a Bíblia também ensina, no primeiro capítulo do Evangelho segundo João, que a todos que receberam Jesus em seus corações pela fé, foi dado o direito, por Deus, de ser registrados como filhos de Deus, no Livro da Vida. A esses, o Salmo 23 declara a primeira promessa: de que o Senhor é o Pastor pessoal, atendo a suas necessidades. O Senhor Jesus, o nosso Pastor, sabe o que está passando com você e comigo.

Faltando poucos dias para encerrar o longo período de desemprego por que passei, de 1992-2003, pude experimentar isso bem de perto. Eu estava passando por um mar revolto e o Senhor entrou no barco e me levou para as águas tranqüilas. Em março de 2003 eu estava no sítio concluíndo o plantio de 160 covas de bananeiras, a maioria delas da variedade maçã. Março, na Região do Vale do Rio Doce, significa o fim das chuvas de verão. Ao terminar o plantio delas, um irmão da Igreja Presbiteriana e eu oramos e agradecemos a Deus, como é de costume.

Então, uma chuva caiu moderadamente sobre a superfície da terra seca. Contudo não a molhou completamente. Vi naquela chuva, justamente no final do trabalho o cuidado de Deus. À noite, quando fui me deitar, às 8:00h, assim que pus os joelhos no chão antes de dormir, caiu outra chuva, exatamente quando comecei a orar. Então veio a minha alma uma oração bem humorada: Senhor, por duas vezes hoje já choveu moderadamente. Entendendo eu que o Senhor estava alegre e provocava uma oração mais ousada de minha boca, com muito bom humor orei assim:

--Senhor, eu posso amanhã gastar a metade do dia indo de uma a uma daquelas 160 covas de bananeiras e aguá-las. Mas, já que o Senhor está insistindo, vou orar difente: se queres mesmo molhar aquela terra, então envia uma chuva de verdade, 10 vezes mas forte que estas, pois aí vai molhar de uma vez!

Em meio à madrugada acordei com um barulhão forte no telhado da casa assobradada. Grandes goteiras caiam das telhas na calçada, e no outro dia havia sinais de enxurrada por todos os lados. Molhou mesmo.

Então entendi o significado do cuidado, do amor que Deus tem por nós. Se Ele insistiu em me mostrar que se preocupava em molhar simples bananeiras, era porque ele queria que entendesse que me amava e que estava cuidando de mim e da minha familia, durante todo os onze anos de desemprego.

Presença, cuidado, paz, segurança, vitória, compromisso e bondade. Sete bênçãos. Todas essas elas estão se cumprindo em minha vida.

Vim de uma família que não conhecia a paz. Meus velhos embora católicos, honestos, trabalhadores, eram muito materialistas e me xingavam muito. Um dia comecei a ter ataques epilépticos. Mãe, ficou horrorizada, pois toda família de meu pai tinha esse problema. Assim que entreguei minha vida para Jesus, aos 18 anos, fui curado dessa doença horrível. Quando permiti que Jesus entrasse de verdade em minha vida, a paz que eu não tinha veio completamente.

Eu descia a antiga Rua 10, do Jardim São Luiz - em 1975 - seguindo para meu trabalho onde hoje fica o Supermercado Extra da Ponte da João Dias. Descia alegre, feliz, como se flutuasse sobre a rua. A família estava endoidecida porque eu me tornara crente, mas eu não ligava muito para a raiva deles.


Importante: assim escrevi antes de novembro de 2009:
Uma parte
importante desse Salmo, o quinto versículo, ainda está por se cumprir na minha vida. Aquela que diz que o Senhor prepara uma mesa diante dos inimigos. Na verdade, posso dizer que não possuo inimigos na expressão literal dessa palavra. Mas, entendo que ao me tornar um cristão, deixei de perseguir os degraus da segurança financeira, da riqueza que a família de minha origem sempre julgou mais importante. Para eles, ao me tornar crente preocupei-me em demasia com o espiritual e deixei de correr atrás do que de fato a sociedade valoriza: a fama e a riqueza.

Aprendi uma coisa observando um atributo marcante na vida de Davi, antes de tomar qualquer decisão, ele orava e buscava a presença do Senhor para orientar-se. Eu não preciso de riquezas para conquistar mais paz, alegria, gozo, uma família firme na casa do Senhor - pois tudo isso já tenho. Mas por outro lado sei que Ele vai colocar-me atrás de uma mesa, e diante dela todos os difamadores, e murmuradores, e incrédulos, para mostrar a todos eles, não que o joão é alguma coisa, mas que o Deus do João é.

Assim como o João, você está prestes a receber de Deus o que tem buscado. O mesmo Senhor que mostrou-lhe o cuidado para com simples bananeiras vai enviar no tempo apropriado (breve) aquilo que falta a você. Creia nisso. Ele não descançará enquanto não lhe abençoar com todas as bênçãos prometidas, e seus difamadores ainda vão ter que dizer: como é maravilhoso o Senhor Jesus!

O que aconteceu depois de novembro de 2009: Fui convidado para fazer parte do time de contadores do Departamento de Contabilidade da Secretaria de Finanças do Município de São Paulo. Passe em duas entrevistas com o segundo e depois com o Sr. Secretário. Ele me deu as boas vindas. Mas, não fui para a Secretaria de Finanças. Em 14 de novembro recebi um telegrama do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, para assumuir uma vaga de auditor. Eu tinha feito um concurso em dezembro de 2005. Na prorrogação desse concurso, quase três anos depois, quando eu nem mais me lembrava dele, a bênção do Senhor me alcançou. E se cumpriu o versículo 5 do Salmo 23, porque, Graças a Deus por nosso Senhor Jesus Cristo - que me deu grande vitória. Hoje é 14 de março de 2010. Há três meses estou no TECESP, e tenho agradecido, todo dia, esta bênção que o Senhor graciosamente quis dar a mim.





autor: João Cruzué


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