sábado, outubro 04, 2008

Deserto - pós graduação em oração na Universidade de Deus


Escola de pós-graduação.

Desert of Judea
Deserto da Judéia
Joao Cruzué

Hoje, eu acordei pensando em João 15: Eu sou a videira verdadeira e meu Pai o viticultor. Fiquei meditando sobre o aquele tempo de deserto que passei, muitos crentes já passaram e outros estão passando. Em algum momento dessa caminhada cristã todos vão passar.Tanto no deserto quanto no mar tempestuoso não há motivos para desespero nem desânimo nem murmuração. É um tempo e lugar onde Deus nos leva para fazer uma pós-graduação em sua Universidade.

Como bom pai que é, nosso Paizinho do céu cuida de nós de uma maneira muito especial. Ele sabe que somos manhosos, às vezes sem interesse em melhorar nosso caráter, nosso diálogo com o próximo, nossos sentimentos infantis, egoísmos notórios, falsos humildes, pobres soberbos, hipócritas... Ou seja, teimosas “gabrielas”. “Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim, sempre Gabriela...”

“E todo ramo da videira que, em Cristo, não dá fruto, Ele tira. E limpa o outro ramo que frutifica para que dê ainda mais fruto. Jesus empregou uma linguagem popular, não teológica, para explicar o processo criado por Deus para tratar com seus filhos. Este tratamento é pessoal; tanto o é que o substantivo e o verbo estão no singular. E filhos de Deus somos, se publicamente aceitamos crer em Jesus como o único caminho para nossa reconciliação com o Paizinho e salvação de nossas almas.

O tempo que passei pelo “deserto” veio a minha lembrança. Hoje posso ver que nos anos de aflição que minha família e eu passamos, Deus não havia se esquecido de nós. Não estávamos abandonados. Os olhos do Senhor nos contemplavam dia e noite; horas, minutos e segundos. Como naquela oportunidade em que os discípulos cruzavam de barco o Mar da Galiléia, sob a fúria do vento.

Depois daquele tempo de deserto, em muitas oportunidades tenho visto o Senhor respondendo minhas orações em assuntos do cotidiano. Pedidos grandes e pequenos. Hoje, tenho consciência de que se orar, sei que o Senhor vai responder, mais cedo ou mais tarde. Adquiri esta confiança depois do deserto. Como você não é ou será diferente. Se já passou pela provação ardente, entende o que estou escrevendo.

No tempo da poda, o viticultor conhece os ramos da sua vide. Dos ramos produtivos ele vai tirar galhos menores que apenas roubam a força dos futuros cachos. Então o bom viticultor tira sistematicamente tudo o que vai atrapalhar a produção da próxima safra. E que ramos inúteis de videira são estes: São os ramos da presunção, da indiferença, do mau humor, da mesquinhez, da dificuldade em perdoar, da recusa em fazer a vontade do Senhor, da falta de ocupação na obra de Deus, da estupidez no tratar com o próximo, da falta de solidariedade, da insistência em andar com más companhias, do interesse por pornografia, da inveja das bênçãos dos outros, do insistente hábito de murmurar, etc.

E, depois que você e eu passamos pelos dias da poda, chegaremos à perfeição.

“E não vos conformeis que este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e a perfeita vontade de Deus.” Apóstolo Paulo em Romanos 12.

"Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiseres e vos será feito". Jesus Cristo em João 15:7.

O Senhor está preparando você na Universidade da Oração. Eu diria que os tempos de prova seriam a pós-graduação. Deus tem promessas de coisas muito grandes e firmes que você ainda não sabe – parafraseando o profeta Jeremias.

Ele, não só tem bênçãos grandes, como também nos prepara não apenas para receber bênçãos, mas para orar por elas devidamente “afinados” com sua vontade. E nisto vemos o grande amor de Deus: Ele não quer simplesmente nos dar as bênçãos; quer ir além disso; Ele quer sejamos seus amigos. E nós seremos amigos de Deus, pela obediência: “Tenho vos dito isto para que minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa. João 15:11.

Portanto se você tem andado em sinceridade com Deus, e neste exato momento está no barco com sua família enfrentando a fúria do mar e a força do vento, alegre-se. Anime-se. Continue orando e clamando ao Senhor. Não abandone os remos e toque o barco. O Senhor é a sua companhia. Quando você chegar do no porto do outro lado, vai descobrir uma maravilhosa diferença. Quando você orar, já saberá de antemão que o Senhor vai responder.

Se Ele não nos amasse de verdade, ficaria satisfeito com a vida medíocre que às vezes levamos. Mas ele nos ama. Ele ama você pessoalmente. E um dos sinais deste amor é o deserto. Todos os personagens bíblicos passaram por ele. Se você também estiver enfrentando o deserto , saiba que está na Escola de pós-graduação em oração do Senhor. Quando terminar o curso, a alegria do Senhor em você vai ser completa. Você vai aprender a pedir melhor, e tudo o que você pedir, receberá.

Não se esqueça: Jesus ama você!



cruzue@gmail.com


.


domingo, setembro 21, 2008

O perigo da fama

.

Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito
de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente,
sozinho, para o monte.
(João 6:15)
João Cruzué

Esta semana estive pensando como escrever uma mensagem sobre a fama e a vida espiritual. Eu gosto de escrever mensagens que provocam primeiro a minha mente e depois falam ao meu coração. Se falam comigo também podem ser úteis para você. O que a fama tem de tão perigosa que até o próprio Cristo conscientemente a evitava? Quero compartilhar neste texto o resultado de minhas reflexões.

Bem cedo em seu ministério, Jesus sofreu o assédio do diabo propondo-lhe ser rico e famoso. Durante aqueles dias de tentação no deserto, o diabo levou-o para um alto monte, e de lá, mostrou-lhe a glória de todos os reinos deste mundo e fez uma proposta tentadora: "Tudo isto lhe darei, se prostrado me adorares. Eu creio que esse ataque do diabo era fruto de um planejamento exímio, cuidadosamente revisado por muitos milhares de anos da experiência maligna na "arte" de derrubar os homens. Em todos os três ataques satã usou das sagradas letras para confundir o Cristo, o que nos dá uma pequena mostra de que em matéria de teologia o diabo conhece tudo. Neste ponto, puxo por um assunto paralelo: nunca na história da Igreja o conhecimento das escrituras esteve tão à mão, disponível para quem quiser se aprofundar. São dezenas e dezenas de enciclopédias, dicionários bíblicos, comentários, bíblias de estudo para várias correntes de interpretações e vertentes teológicas.

O que tanto conhecimento pode fazer? Transformar um novo convertido em um doutor em divindade? Sim! Mas nisso também pode estar uma armadilha do diabo. Acúmulo de conhecimento não significa acúmulo de sabedoria. O excesso de conhecimento pode inchar as pessoas predispostas à presunção, à soberba e à morte espiritual. Entendo que foi nisso que "aquele" querubim ungido caiu. E também foi enaltecendo o grande conhecimento que havia no fruto da árvore da ciência do bem e do mal que aquele mesmo "querubim" trouxe o mal e a morte para desgraça da humanidade. O Apóstolo Paulo entendeu isso quando aconselhou a aquisição do saber com temperança, e não ir além dos limites de cada um.

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração pois é dele procedem as saídas da vida". E mais "Enganoso é o coração e mais perverso do que todas as coisas" Livro de Provérbios. O orgulho é um pecado que nasce e toma forma no coração, até o momento que a pessoa se acha como Deus. O sucesso e a fama no meio religioso tem servido de âncora e farol para a idiossincrasia de muita gente. É muito mais atrativo pregar um "evangelho" que vá ao encontro das necessidades de conforto e riqueza humanos do que o legítimo Evangelho. A carroça à frente dos bois. Nos últimos dias do cárcere do apóstolo Paulo em Roma, isto ficou patente. Paulo morreu sozinho, abandonado e desprezado. Por que? Porque o evangelho que pregava era "diferente" dos novos "senhores" da Igreja. Segundo eles, Paulo era um fracassado, um home sem fé, um pastor que não prosperou!

A fama é mais perigosa que a tribulação. Durante a tribulação temos a promessa da presença e da consolação de Jesus. Nos tempos de fama, o mais provável que aconteça e sermos assediados por uma multidão de bajuladores, interesseiros, maus conselheiros e mercadores de todo o tipo. Fato interessante é que Jesus não só evitava conscientemente como de vez em quando se retirava estrategicamente das oportunidades de sucesso principalmente político. A fama deve ser um atributo com um poder destrutivo tão grande, ao ponto do filho de Deus evitá-la.

Há um exemplo a analisar em Marcos 7:31-36: "E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galiléia, pelos confins de Decápolis. E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele. E, tirando-o à parte, de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe na língua. E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, Abre-te. E logo se abriram os seus ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente. E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem;mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam." Pelo que conheço de Jesus, não usaria de esperteza, proibindo algo para que conseguisse um resultado eficiente. Por que neste e em outros casos ele intencionalmente evitava a publicidade? Entre duas interpretações: evitar a morte prematuramente e estar atento aos perigos da fama, eu ficou com o segundo.

A fama pode levar ao orgulho, o pior dos pecados. Aquele que leva homens e mulheres a afirmar nesciamente que não existe Deus. Para si eles são os próprios deuses. Que Deus está dentro de cada um, que as ações de cada um são atos divinos. Quando Elvis Presley tomou contato com a teosofia ficou confuso e definitivamente desviou-se, ao tornar-se simpático aos ensinos de seu cabeleireiro, que afirmava que os homens eram parte de Deus e não suas criaturas.

Deus o criador não se deixa escarnecer, nem divide conosco a glória que é para Si. Uma das maiores vulnerabilidades que a fama traz é quanto ao posicionamento das pessoas. Creio que na mente de um pregador, pastor ou bispo famoso instaura-se uma confusão inconsciente. A perda dos velhos limites. O vício de inovar em com a introdução de coisas que parecem bíblicas, mas não são. As verdades bíblicas não são confusas nem carecem de exercícios desgastantes para sua compreensão. Arrependimento, fé, humildade e presença de Deus. "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas". "O Senhor é meu Pastor e nada (de básico) me faltará. "Na minha angústia clamei ao Senhor e Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor." Mas estas coisas são "simples" de mais para quem atingiu o "topo". Os novos "Herodes" querem ser ouvidos como vozes de deus!

E durante a última páscoa, Jesus tirou as vestes, e tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água em uma bacia e começou lavar os pés dos discípulos. No final do lavapés, comentou: "Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós também deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.

Tenho assistido em minha vida cristã uma sucessão de quedas de grandes homens que se embaraçaram nos cordéis da fama. Creio que nós humanos temos um fascínio por ela. Parece que, quando bate a nossa porta, procuramos agarrá-la com todas as forças. Isso me lembra uma certa leitura de como certos macacos eram facilmente capturados por uma armadilha muito eficiente. Dentro de uma cumbuca, era colocado uma pedra brilhante. Aquela armadilha era deixada no Depois que agarrava o objeto de seu desejo, não conseguia mais se soltar, entregava sua liberdade por ela.

A fama pode levar um cristão ao desvario. Ao receber para si a glória que é de Deus, ele fica à mercê do diabo. É público o testemunho que dou. Certos pastores no afã de fazer publicidade de suas Igrejas associam curas e milagres de seus ministérios aos nomes de suas igrejas. Uma vez isto feito, seus discípulos repercutem aquele erro. Quando vejo algum pregador ou pastor em grande destaque, principalmente na mídia nacional, preocupo-me. O sucesso dele faz com que suas atitudes, acentuação de voz e até "as línguas" estranhas que fala, sejam amplamente copiados. Por exemplo: já perdi a conta de quantos "charabacandas" tenho ouvido de pregadores.

A fama costuma produzir uma falsa sensação da aprovação total de Deus. Como na parábola do rico e do Lázaro proferida por Jesus, em que o rico acreditava que sua prosperidade era a garantia de uma vida que agradava a Deus. Em nossos dias a leitura de Romanos 12:16: "Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos, soa assustadoramente "antiquada". Da mesma forma, a ditadura da "lei de gerson" vem associando virtude a comportamento de "trouxas", pois o mundo é dos "espertos." O arcabouço dos príncípios morais e éticos cristãos, principalmente entre o povo evangélico aluí-se. E o diabo tem derrubado e, infelizmente, ainda vai derrubar grandes líderes e os melhores príncipes da palavra de nossos púlpitos.

Sei que este artigo não vai mudar o entendimento de quem já tomou a decisão de usar a publicidade em todas as oportunidades que tiver, para "pregar" o Evangelho. Mesmo naquelas em que o Senhor não aprove. Saiba definitivamente que notoriedade e a fama não eram perseguidas pelo Mestre. Porque orava e consultava ao Pai antes de qualquer decisão ele sabia quais portas estavam abertas e quais deveria esperar ou evitar. Se você ultrapassar o limite e saltar o "muro", Deus não será mais responsável pelos seus atos nem pela sua ruína. Medite bem: "Pois que aproveitaria o homem ganhar o todo o mundo e perder a sua alma?" Sem mencionar o nome de ninguém, "Aquele, pois, que cuida estar de pé, olhe não caia"


João Cruzué - Olhar Cristão
SP 20.09.2008
cruzue@gmail.com

.

quarta-feira, setembro 17, 2008

A maioria pode estar errada

De que lado você está?

Christ Passion
carregando a cruz de muitos
João Cruzué

A voz do povo é a voz de Deus. Não é isso que estamos acostumados a ouvir? Depois de muitas vezes repetido, será que este clichê resistirá a uma análise bíblica? Sinto muito em dizer, mas vou ser um desmancha-prazeres, ou melhor, um destruidor de sofismas. Muito raramente, na história dos personagens e fatos bíblicos a voz do povo era a voz de Deus nem a razão estava com a maioria. Vamos analisar, então, este assunto a luz da Bíblia.

Até construir, betumar e encher a arca com animais, Noé e sua família levou muitos anos. Apesar de Deus ter ordenado a Noé que juntasse sete casais de animais limpos para um casal de animais não limpos, a ordem para colocá-los na arca veio somente sete dias antes do dilúvio. Pedro fala claramente que Deus aguardava com longanimidade uma mudança de atitude da maioria dos vizinhos de Noé, durante o tempo que este construia a arca.. Somente oito pessoas entraram na nela, porque a maioria era incrédula. Somente percebeu que estava enganada quando nada mais podia ser feito. O dilúvio se abateu sobre todos eles, quando a porta da arca estava fechada. Noé a fechou por dentro, e Deus a fechou por fora, pois o tempo da graça e da oportunidade de arrependimento tinha se esgotado.

Quando Deus prometeu a Abraão e Sara que teriam um filho na velhice, eles acharam graça da promessa. Nunca contaram para ninguém porque achavam aquilo, sinceramente, uma coisa ridícula. Quando Sara, então, ouviu essa promessa em Gênesis 18, ela começou a rir. Mas para que nunca se esquecesse da sua incredulidade daquele momento, um ano depois teve de batizar o filho com o nome de Isaque, que significa riso.

O Êxodo dos judeus do Egito para terra de Canaã teve vários episódios em que a maioria ou estava enganada ou fracassou. Quando Moisés se apresentou diante do faraó do Egito para pedir que deixasse o povo de Israel ir ao deserto sacrificar ao Senhor, tinha ao seu lado apenas Arão. O faraó simplesmente desprezou Moisés, quanto Jeová, o Deus de Israel, porque se achava o maior. Quando os doze espias foram enviados para observar a terra de Canaã, somente dez entre os doze voltaram com um relato assustador para contar. Josué e Calebe quase foram apedrejados por discordarem daquele relato, e apresentarem uma visão de fé.

Gideão era um jovem valoroso. Foi o capitão escolhido por Deus para livrar Israel dos midianitas. Dos 32.000 soldados que ele recrutou, apenas 300 ficaram para ir à batalha. Deus não contava nem confiava naquela maioria. Ao simples aviso de que os medrosos podiam voltar para casa, 22.000 não pensaram duas vezes: foram embora.

Diante do gigante Golias todo exército de Israel tremia. Do coração do rei Saul até o do mais humilde pajem de armas. A maioria aceitava passivamente as blasfêmias e ofensas diárias do gigante de boca “suja”. Bastou apenas um jovem sem nenhuma experiência de guerra para derrubar o gigante e cortar o pescoço dele. Noutra feita, fugindo da perseguição do sogro, Davi e seus 600 homens de armas voltavam para casa. A cidade de Ziclague, em I Samuel capítulo 30. Em lugar das famílias e dos filhos encontraram lares queimados, filhos e mulheres capturados pelos amalequitas. Seriam vendidos como escravos. Os 600 companheiros de Davi ficaram tão amargurados, tão revoltados por andarem com ele, que chegaram mesmo a pensar em matar Davi à pedradas. Diz a Bíblia que “Todavia Davi se esforçou no Senhor”. Enquanto o desespero tomava conta da maioria, Ele foi orar e consultar a Deus. Deus ouviu a oração de Davi e lhe assegurou a vitória para si e seus companheiros. Recuperariam tudo e trariam de volta as famílias. Foi exatamente isso que aconteceu, porque um homem entre 600 pensava e agiu de modo diferente. Deus não estava no desespero da maioria, estava com Davi. Um com Deus é maioria, e a maioria sem Deus é nada.

Nos dias de Jesus Cristo, as lideranças religiosas estavam distanciadas de Deus. Quando o menino nasceu não teve o teto nem o calor de uma casa para abrigá-lo. Com tanta gente e tantas casas em Belém o único lugar disponível para hospedar José e Maria fora uma estrebaria. Para revolucionar o mundo e manter seu nome como o maior homem que jamais pisou nesta terra, Cristo precisou de apenas 12 homens iletrados para iniciar a Igreja. Nos dias que antecederam a sua morte, ele foi julgado culpado pelos líderes do Sinédrio. O próprio Sumo Sacerdote produziu a prova que o mandou para a cruz, quando lhe perguntou se era o Filho de Deus, e Jesus lhe deu o testemunho da boa confissão, mesmo sabendo que a resposta iria sentenciá-lo à morte.. No auge do julgamento a maioria do povo, insuflada pelos sacerdotes e príncipes do povo, escolheu a liberdade para Barrabás e a morte cruz para o Filho de Deus. Nunca a maioria esteve tão longe da verdade.

São inúmeras as histórias e situações ao longo da Bíblia que mostram o perigo de se deixar manipular e levar pela voz da maioria. Mais exemplos: o Rei Saul tinha o mau costume de desobedecer à voz de Deus para atender ao povo. Jó enfrentou sozinho o ataque de cinco pessoas, manipuladas pelo diabo. Daniel e seus três companheiros enfrentaram muitos perigos. O profeta Jeremias era uma voz solitária entre tantos falsos profetas. O Apóstolo Paulo em seus últimos dias ficou só e abandonado pelos novos “donos” da Igreja que o consideravam um homem derrotado e sem fé. Por fim, alguém perguntou a Jesus: Senhor, são poucos os que são salvos? Ao que ele respondeu: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.

Depois de tantos fatos e acontecimentos negativos patrocinados pelas “maiorias”, vamos parar um pouco e refletir. Um cristão que se julga ser fiel, sincero, reto, íntegro, temente a Deus não deve nunca tomar decisões com base na voz da maioria. A voz do povo nunca foi a voz de Deus. Muitos irmãos neste momento estão prestes a tomar decisões erradas baseados em uma falsa sensação de segurança porque estão do lado da maioria.

Se Deus não estiver no meio dessa maioria, como normalmente não está, qual será o futuro de quem fica do lado errado? Antes que participe de algo pelo qual venha a se arrepender amargamente, guarde bem isso: ouça o que diz a voz do Espírito Santo.


Mensagens bíblicas
cruzue@gmail.com



.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Dividas e a volta por cima


Na minha angústia clamei ao Senhor,

O leproso agradecido 2
Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor.
É por isso que voltei aqui para testemunhar e agradecer .


Por João Cruzué

O Senhor tem sido maravilhoso para comigo, em todos os sentidos. Quero compartilhar com você minhas experiências pessoais no trato com dívidas e prejuízos, desejando contribuir de alguma forma para que Deus fale com você e lhe dê uma direção, caso esteja passando por situações semelhantes.

Quando me tornei um crente, não tinha saúde, não tinha casa, não tinha um emprego, não tinha diploma universitário nem uma família carinhosa. Tudo isso consegui, depois, pela graça de Deus que foi me abençoando.

Aos 18 anos, chegava à Capital paulista com um frasco de 200 comprimidos de Comital L, uma droga antiga para controle de epilepsia. Assim que me tornei um crente em Jesus, a primeira bênção foi a cura daquela doença. Você já presenciou uma pessoa caída no chão tendo um ataque epiléptico? Acontecia comigo. É uma cena tristíssima onde nada pode ser feito senão colocar a ponta de uma toalha na boca da pessoa para que não fira muito a língua, e esperar que passe.

Naquela época eu passei no vestibular, masnão pude seguir em frente, pois tive que trancar a matrícula, entre outras coisas, por falta de dinheiro. Dois anos depois, o Senhor nos preparou um emprego, na Rua 24 de Maio, Centro de São Paulo, aonde trabalhava para estrangeiros. Ali na mesma Rua tivemos a oportunidade de estudar inglês. No terceiro ano, nosso salário já era suficiente para voltar à faculdade, destrancar a matrícula, e concluir o bacharelado em Ciências Contábeis.

Depois do bom emprego veio um empresa de contabilidade, uma casa, no ano de 1983 a esposa, os móveis da casa, o primeiro carro. Uma família cristã muito abençoada. Um ano depois a primeira filha. Antes eu nada possuia, mas agora tinha bastante e por isso tinha todos os motivos para estar contente com Deus.

Mas aquele tempo passou e as "vacas" magras chegaram. Os clientes da empresa se foram. O carro foi ficando velho, e por necessidade foi vendido. Minha esposa, grávida de nossa segunda filha, não tinha convênio médico, não tínhamos fontes de recursos financeiros, senão uma cuja porta nunca se fechou. Não era o bastante para um ano inteiro, mas dava para uns oito meses. Ficamos de fato muito apertados, mas nunca desamparados.

Nossa casa era financiada pelo Bradesco em 15 anos. No último ano não tínhamos o bastante para pagar as prestações. O Banco colocou minha dívida em um escritório de cobranças. Tive que renegociar, e não pude pagar o renegociado. Veio um aviso de que a casa estava sujeita a leilão por falta do pagamento. Faltando um dia para perdernos nossa casa, uma senhora crente e amiga de minha família foi até o banco, retirou dinheiro de sua caderneta de poupança e o entregou a nós. Foi assim, que Deus não permitiu que perdêssemos a casa depois de tê-la pago por 14 anos e faltando apenas um para quitá-la.

A provação não foi curta. Ela durou quase 11 anos. Naquele tempo, quando Luiza Erundina ganhou a prefeitura de São Paulo perdemos ainda seis terrenos por invasão liderada por um padre. Tentamos uma casa de comércio que não prosperou e tendo enviado centenas de currículos não obtive uma porta sequer nem resposta alguma. Nos virávamos como podíamos. Minha esposa chegou a organizar excursões em viagens perigosas para o Paraguai, levando pessoas para fazer compras no sistema "bate-e-volta". Por falta de opção e da fadiga do ócio por duas vezes fui para o sítio, para plantar tomates em 1993 e mandiocas de 2000 a 2002.

Foi assim que tive todos os motivos para murmurar e reclamar de Deus. Lembro-me de uma situação em especial, quando consegui comprar meio quilo de café no supermercado, e ao chegar em casa dei graças a Deus por ele com os olhos molhados. Quando você enche um carrinho, dois carrinhos, três carrinhos de compras não tem idéia de que há pessoas, ali mesmo no mercado, que não podem comprar nem meio quilo de café, e quando o fazem,talvez sejammais gratas que você. Naquela situação aprendi por que se deve dar graças.

O leproso agradecido 1

Continue Fiel


Para enfrentar tantos anos de dificuldades fomos cortando todas as despesas. Foi-se a escola particular de minha filha mais velha; a mais nova sempre estudou na escola pública. Tivemos que vender a linha telefônica para pagar dívidas. Hoje uma linha vale menos de R$100,oo. Em 1996 vendi nossa linha por R$5.200,00.

O carro velho de minha esposa ficou sem licenciamento de 1993 até 2000. Eu orei assim: "Jesus, nós temos apenas o necessário para as necessidades básicas. Licenciar este carro para nós é luxo. Toma este caso em tuas mãos e não permita que ele seja apreendido. O Senhor ouviu esta oração.

Os que esperam no Senhor renovarão suas forças

Um dia andando pelas ruas de São Paulo, eu precisava ir até a Vila dos Remédios buscar um arco para ornamentação de Igrejas e festas de casamentos. Já estávamos no ramo da ornamentação. E eu orei de novo: "Senhor, preciso ir do outro lado da cidade, lá na Vila dos Remédios. Este carro além de não ter licença, ainda está com placas amarelas. Se me guardar nesta "viagem", vou dar uma oferta de gratidão na igreja.

Nós moramos na Zona Sul. No caminho para a Vila dos Remédios, antes de chegar a Marginal de Pinheiros, lá estava um guarda de trânsito parando todos os carros. Votar eu não podia; além de ser contramão, ia chamar a atenção dele. Acelerar, nem pensar. Vi um motorista parado conversando com o guarda e tive uma idéia: aproximei-me do guarda, parei, e perguntei:

_Seu guarda, como faço para pegar a Marginal de Pinheiros?

Ele me explicou detalhadamente o caminho (que eu sabia muito bem). Nem viu a cor amarela das placas. Fui na Vila dos Remédios e voltei em paz com colunas e arcos, coisas que de forma surpreendente cabiam dentro de um Chevette Hatch.

Quando nossas contas chegavam a um ponto insustentável minha esposa e eu orávamos. Via de regra, meus pais ou a família de minha cunhada Cleuza nos ajudava. Apenas orávamos e Deus falava ao coração daquelas pessoas. Foi assim que descobrimos quem eram nossos amigos de verdade. No tempo da bênção eram tantos...Agora dava para se contar com nos dedos de uma só mão. Os "amigos" desapareceram e a maioria eram crentes.

Três anos antes de Deus abençoar de novo minha vida financeira, recebi de surpresa uma atividade especial para me ocupar. Achei no portão de casa uma carta de um preso. Ele pedia orações, literatura bíblica para evangelizar e algumas bíblias. Aquela carta viera em resposta a um folheto que tinha carimbado e distribuído por mim seis anos antes. Em 18 de fevereiro de 2001 estouraram 29 rebeliões do PCC em presídios paulistas. Foi naquele mesmo tempo que comecei a recolher literatura usada entre Igrejas da Zona Sul de São Paulo. Depois enchia caixas de 6, 12 e 20kg que seguiam pelo correio, direto às mãos de grupos de presidiários crentes.

Enquanto caminhava para o correio, quase todos os dias e durante dois anos, para postar cartas de aconselhamento e buscando contatos com presidiários crentes, o Senhor preparava a porta de meu emprego atual. Do outro lado da agência de correios tem um grande Hospital. Um dia, uma pessoa da família, ligou e pediu para levasse um currículo ali. Depois de 11 anos enviando currículos achei que mais um, não iria incomodar-me. O Senhor abriu a porta e depois de duas etapas de seleção, eu fui escolhido!

Primeiro veio um contrato de emergência, depois de seis meses ele foi prorrogado. Nesse interim surgiu um concurso no mesmo Hospital para vários cargos, e entre eles havia uma vaga para contador público. Passei em primeiro lugar com 38 acertos em 50 questões. E quem preparou tudo isso foi o Senhor Jesus. Hoje, 27 de agosto de 2008, faz cinco anos, um mês e 12 dias que estou trabalhando no mesmo Hospital que pertence ao Município de São Paulo.

Tem mais bênçãos. Sabe a filha que não pude mais custear os estudos na escola particular? Hoje cursa o 3º anos de Letras (português e alemão) na USP. - Universidade de São Paulo. Minha Esposa que no passado ia às vezes sozinha em excursão para o Paraguai? Trabalha como professora na rede pública estadual e se graduou em pedagogia em 2007 . Dos três anos que ela cursou, apenas as mensalidades dos últimos foram pagas, pois conseguiu uma bolsa integral para para estudar por mais de dois anos. O Senhor lhe prometeu isso e cumpriu a promessa.

Sabe o carro velho, o Chevette Hatch 80, sem licenciamento de 1993 até 2000? Primeiro ele foi roubado, e achado na beira de uma avenida uma semana depois. Esperamos mais uma semana e como ninguém mexeu nele nem pôs fogo, pegamos ele de volta e ainda nos foi útil por mais um ano. Depois ele quebrou de vez e o vendemos por risível quantia de R$200,00. Passamos o próximo ano sem carro. Enquanto isso minha esposa e eu orávamos.

Depois de um ano a pé, o Senhor nos abençoou com um Celta Ok. Em outubro de 2006 o trocamos por outro um Corsa Classic também Ok. Se Deus assim quiser, daqui a dois meses vamos pela terceira vez adquirir nosso terceiro carro 0k.

Obrigado Senhor

Em tudo dai graças!

Pode acontecer que em algum tempo de sua vida você tenha de tudo. Mas é muito fácil ser grato a Deus com os bolsos e a conta bancária cheios. Mas lembre-se de que assim como o diabo teve inveja de Jó, também venha a ter de você. De repente você pode se achar em meio a uma grave crise, seja financeira, conjugal, de saúde - o fato é que a crise vem. E durante esses dias difíceis não vá pensar que Deus se esqueceu de você. Ele estará ainda mais perto. Ore; não murmure - tudo o que o diabo quer é ver você lançando na face de Deus que você está esquecido, sozinho, e sofrendo privações. O Senhor vai cuidar de suas necessidades básicas - lembra do licenciamento do carro que eu não tinha dinheiro para pagar. O Senhor quer que você aprenda a dar graças no tempo da escassês. E quando você ora e agradece a Deus também pelas lutas e pelas privações, quem se irrita é o diabo, enquanto o Senhor diz para ele: Está vendo como meu servo ou minha serva é fiel mesmo nessa dificuldade?

Há trabalho para você na seara do Senhor


Vou terminar dizendo que Jesus ama você. Eu passei por dívidas e situações difíceis. O Senhor um dia deu um basta em tudo aquilo e voltou a me abençoar. A principal razão porque escreve este blog é para dar testemunho disso e dizer para você que o Senhor não o/a abandonou e que vai estar no barco com você até a tempestade passar. Ele não nos livre da tempestade, mas sempre prometeu estar conosco no barco.E agora vou recitar para você meu versículo favorito:

"E uma coisa faço, e é que
esquecendo-me das coisas que para trás ficam,
e olhando para as que estão diante de mim,
prossigo para o alvo, pela soberana vocação de Deus
em Cristo Jesus" Filipenses 3: 13-14.

Ô Glóóória!


João Cruzué
Dívidas - a volta por cima
Revisado em 27/08/2008
cruzue@gmail.com



.

segunda-feira, junho 30, 2008

Conte as estrelas do céu

OUVINDO A VOZ DE DEUS

Conting Stars
"Foi o Senhor que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos"

JOÃO CRUZUÉ

Se você examinar de perto a vida de Abraão, verá que o Senhor, o Deus Altíssimo, falou com ele pelo menos oito vezes. Me identifico muito com Abrão, pois tivemos que deixar nossa terra, nosso povo, nossa parentela, para sermos salvos e abençoados em terra estranha. Sempre que tenho a oportunidade de olhar para um céu estrelado, em noites de lua nova longe das cidades, lembro-me da ocasião em que "El Shadai" mandou Abrão olhar para o céu e contar as estrelas. Abrão não era muito crente no princípio. Sua fé foi sendo acrescida aos poucos. Gênesis 15: 1 ao 6.

A primeira vez que Deus falou com Abrão, em Gênesis 12:1, Ele estava em Ur da Caldéia. O verbo está no imperativo: "sai-te", portanto foi uma ordem para sair da sua terra, do meio da parentela e da casa de Terá. Seu Destino seria uma terra, que apenas conheceria no futuro, se saísse. As vantagens seriam: poder,
fama e motivo de prosperidade para todas as famílias da terra. Abrão deve ter saído com interesse em alguma dessas coisas e, junto com ele, foram o pai e o sobrinho. No meio do caminho, em Harã, o pai morreu. Mas, o sobrinho continuou. Ficavam ricos, à medida que seguiam em frente.

A segunda vez que o Senhor lhe apareceu , foi para
dizer que a Terra de Canaã, onde chegara, era sua Terra Prometida. Abrão tinha um segredo, uma profunda frustração, que Deus conhecia bem, mas Abrão não tocava no assunto. Disse Deus: "A tua semente vou dar esta Terra", provocando seus sentimentos. A terra prometida trouxe uma surpresa: a fome!

E veio uma grave fome sobre a Terra de Canaã. Por isso Abrão desceu à terra do Egito e Ló, o sobrinho, continuava junto. Como "bons" negociantes do Oriente, uma mentirinha aqui, outra ali, não faria mal... e, foi assim, por causa de uma mentira que o Faraó os expulsou do Egito. Saíram ricos, muito ricos em gado, ouro, prata, criados, escravos, de volta à Canaã - às custas de experteza.

Mas, era gado de mais e terra de menos em Canaã. Isso foi o estopim de contendas que entre os pastores do tio e os do sobrinho. Assim, finalmente, Abrão chegou ao último ponto da exigência de Deus: sair de perto da parentela. Deixou o sobrinho escolher em primeiro lugar os pastos. E o sobrinho não titubeou , com muita esperteza, escolheu os melhores pastos, na Campina do Jordão. O Tio ficou com o resto, a região das montanhas - os pastos piores.
.

SEPARAÇÃO ENTRE LÓ E ABRAÃO

Por isso, pela terceira vez, o Senhor apareceu para um Abrão solitário, que amargava uma ingratidão. Abrão tinha tudo: ouro, gado, 300 homens de guerra; cerca de 1.000 pessoas serviam-no.

Ou quase tudo. Sua família, de ver
dade, agora era constituída de dois velhos: Sara e ele próprio. Ao olhar as famílias dos servos, dos escravos, ele podia observar que eles tinham filhos. Todo seu ouro, prata, gado, escravos não eram o bastante para fazer nascer um herdeiro legítimo de um casal de velhos.

Conhecendo Deus sua frustração - e Ele conhece as de todo mundo, inclusive as suas e as minhas - apareceu e disse: Abrão! levanta, agora, seus olhos e olha toda esta terra, par
a o Norte, para o Sul, para o Oriente e para o Ocidente - toda esta terra que vês, te hei de dar a ti e à tua semente, para sempre. Esta promessa, a mais valiosa para Abrão, somente foi pronunciada depois que ele cumpriu a toda a vontade de Deus: sair da sua terra, da casa do pai, e do meio da parentela.

Deus não ficou somente nestas palavras, continuava a lhe provocar: "A tua semente, Abrão, será como o pó da terra. Levanta-te e percorre com seus olhos essa terra, no seu comprimento e na sua largura, porque a ti darei".

A partir desse ponto, o coração de Abrão não estava mais nas suas posses. Deus queria despert
ar nele um novo sonho. Mas Abrão nem de longe pensava nisso, continuava remoendo ocultamente sua frustração. não sabendo que "Aquilo que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano é o que Deus tem preparado para aqueles que o amam" I Coríntios 2:9.

Creia nesta palavra.

Deus apareceu a Abraão pela quarta vez, e isso aconteceu depois do seu retorno da guerra em que se envolveu para resgatar o sobrinho e família, o Ló das campinas do Jordão. Armado com 318 homens conseguiu trazer de volta a família do sobrinho e recuperar tudo. Na volta deu o dízimo daquilo que foi recuperado. Agora ele tinha certeza de que por trás da sua prosperidade estava a boa mão de "El Shadai". Mas a guerra fez Abrão tremer. E, Deus apareceu para lhe dizer: " Não temas Abrão, eu sou o teu escudo (segurança na guerra) e o teu grandíssimo galardão". E o significado dessa palavra: galardão, para Abrão ainda era desconhecido
. Mas, foi nesta vez que Abrão abriu seu coração para revelar a sua mais profunda frustração: "Senhor, me falta uma coisa para que esta casa seja feliz de verdade. Eu não tenho filhos, e o meu herdeiro vai ser o mordomo, o estrangeiro Eliezer.

E foi aí que veio a palavra do Senhor ao espírito de Abrão para lhe dizer uma grande surpresa: "Este mordomo, não vai ser o teu herdeiro, mas aquele que gerar de ti será, este sim, será o teu herdeiro".
.
VIA LÁCTEA E O CRUZEIRO DO SUL

E levou-o para fora e repetiu a ordem: OLHA, agora, para os céus e e conta as ESTRELAS, se as puderes contar. E concluiu: "Assim, será a tua semente". Contar estrelas aqui significa reacender sonhos. Assoprar novamente as cinzas. Pode ser que ainda tenha ali uma pequena brasa acesa. Aprendi sobre isso, depois de 11 anos de desemprego. Minha melhor oportunidade somente veio quando já estava "velho" com 48 anos. Quanta frustração naqueles 11 anos, mas Deus não me deixou ficar para sempre frustrado e envergonhado.

Minha vizinha, Andrea, recebeu a mesma bênção de Abrão. Ela, seu esposo e seus amigos oraram 17 anos por um filho. Ela contava que certo dia, ela fora humilhada por outra vizinha que disse mais ou menos isso: "Cadê o seu Deus? Eu tenho dois filhos e você nenhum!" Sabe o que aconteceu? Passaram-se 17 anos. Quando chegou o 18º ano de casamento, Deus disse: Basta! e lhe deu o primeiro filho que nasceu de sete meses.. Um ano depois, uma filha com nove meses de gravidez. Um casal, herança de nosso Deus. Foi uma noite de choro que demorou quase dezoito anos, mas a manhã veio porque o Senhor é fiel.


Abrão, àquela altura, já possuia mais intimidade com o Senhor. Entretanto, ele também era uma pessoa apressada que não gostava de perder tempo. E quase pôs tudo a perder quando ouviu a sugestão da esposa, para que tivesse um filho com a escrava. E Agar - a escrava - concebeu e deu o primeiro filho a Abrão, Ismael, o pai do povo árabe.


Quando Deus fala, se formos fiéis, nosso espírito sentirá uma paz incomum. Quando a voz não é Dele, nosso coração fica com dúvidas. E, se decidirmos com dúvidas o maligno pode roubar nossas bênçãos verdadeiras. Abrão perdeu 14 anos de seu tempo por uma decisão errada. Ele seguiu a voz da razão porque achava loucura receber sua maior vitória no tempo da velhice.

Em Gênesis 17, Deus apareceu pela quinta vez a Abrão já com 99 anos idade. Sara, sua esposa, com 89 anos. Um casal de velhos gagás, como se diria hoje. Nesta oportunidade Deus lhe cobrou santidade: "Eu so
u o Deus Todo Poderoso; anda, Abrão, em minha presença e sê perfeito". Em seguida,trocou o nome dos dois. Agora, eram Abraão e Sara!

A confirmação da promessa de um filho, naquela idade, fora motivo de risos por parte dos dois. Risos de singela incredulidade. Eles ainda não acreditavam completamente. Foi por isso que Deus deu nome ao sonho de Abraão: ISAQUE!


Caro leitor, vamos fazer uma nova pausa. Antes de conhecermos completamente o poder de Deus, costumamos carregar lá no fundo do "baú" as mais diversas frustrações, as montanhas de impossibilidades. Gênesis 18:14 diz: "Há alguma coisa difícil para Deus realizar? E, Lucas 1:37 responde: "Porque para Deus nada é impossível!"


Na sexta vez o Senhor lhe apreceu pessoalmente, com dois anjos na forma de visitantes - Gênesis 18. Sara ainda estava com dúvidas. Deus veio para confirmar que dali a nove meses, a partir daquela visita, o ISAQUE IA CHEGAR. Também avisou a Abraão sobre a destruição de Sodoma e Gomorra. No capítulo 21, Isaque nasceu. Isaque significa riso. Riso, porque se alguém soubesse da história, com certeza riria. E cresceu o menino e Abraão fez um grande banquete no dia em que Isaque foi desmamado. Os risos da alegria verdadeira invadiram aquela casa. Ela deixou de ser uma tenda de velhos tristes e rabujentos para ser um lar radiante e barulhento. A "loucura" do que Deus pode fazer.


Isaquinho era o príncipe daquele lar. Abraão não tinha mais frustração. Não tinha mais sonhos. Isaque era tudo. Sua fé ainda não tinha sido posta à prova. Era um crente em Deus crescido no verão, em tempos de chuvas, em tempos de bênçãos. Ouro, prata, gado, criados, escravos e por fim, o Isaque. As lutas tinham sido até pequenas até ali.

E veio então a sétima vez que o Senhor lhe a
pareceu. E lhe pôs à prova.
.

Rembrandt
--Abraão! disse Deus, toma, agora, o teu único filho, Isaque, a quem amas e vai a terra de Moriá, e o sacrifica, e o oferece em holocausto a mim. Então, Abrão se levantou e foi cumprir a ordem de Deus. Só não a cumpriu, literalmente, porque o próprio Deus enviou um anjo para impedir.

Naqueles três dias, que caminharam até próximo do Monte Moriá, Abraão teve para meditar profundamente na gravidade do seu compromisso. Ele decidiu certo. Ia obedecer a ordem de Deus. Uma ordem cruel e duríssima. No seu coração ele tinha uma coisa: paz com Deus. Ele cria em Deus. O mesmo Deus que dava filhos a velhos gagás, proveria uma solução para o caso. Assim, chegou Abraão a conclusão de que Deus era tudo para ele. Lhe daria o primeiro lugar Isaque já estava no segundo plano. Tal atitude comoveu o coração de JEOVÁ. A fé de Abraão atingira a maturidade completa: chegara à perfeição, pois, agora, trocaria tudo para agradar e fazer a vontade de Deus. Abraão amava o Senhor de todo o coração.

Por causa da fé de Abraão, são abençoadas todas as famílias da terra. O Isaque simbolizava Jesus Cristo, o único filho do Deus Vivo, do Deus Altíssimo, do Deus Eterno, do Deus Todo Poderoso. Jesus descendia de Abraão. O seu sangue no sacrifício da cruz do calvário é o suficientemente necessário para que todos que nele crêem possam chegar diante do Pai e alcançar a paz da reconciliação.

E, uma vez reconciliados por Cristo, podemos confiar em seu amor. Se você apresentar a Ele, em oração, suas frustrações, suas feridas, suas limitações, suas quedas, saiba que Cristo pode trocar todas elas por sonhos e novas visões. Olhe, para o céu da noite e conte as estrelas. Seja fiel; Romanos 12:2; e o Senhor cumprirá o desejo do seu coração; Salmo 37:4.

Autoria: Joao Cruzue
Agosto de 2006



...............
..